
Há pouco mais de dois séculos, intelectuais franceses devidamente trajados com suas indefectíveis calças leg e longas perucas brancas se lançavam à hercúlea tarefa de encerrar numa obra de trinta e cinco volumes, intitulada Encyclopédie, todo o conhecimento humano. A iniciativa dos supracitados intelectuais franceses foi seguida por estrangeiros, igualmente intelectuais, e daí surgiram essas coleções volumosas que se encontram em bibliotecas públicas e privadas. Minha juventude pré-internet foi muito pontuada por consultas à enciclopédias, especialmente à Larousse.

É de conhecimento geral que tem gente que compra livros para enfeitar a casa. Nesses casos, as enciclopédias são ideais, por sua coloração uniforme, pela quantidade de páginas muito semelhante de um volume para outro e pela simetria física. Mas cuidado: a inutilização de uma enciclopédia tem alto preço. Enciclopédias são voluntariosas. Se não lhes forem dadas acomodações adequadas, madeira e aço fortes o bastante para sustentá-las, boa ventilação etc, elas são capazes de envergar, trincar, rachar e quebrar o mau espaço em que foram alocadas, além de tornarem-se permissivas para com fungos, traças, baratas, ratos e demais criaturas que todos gostamos de ver bem longe.
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