ago 08
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A sociedade alternativa
Embora o título deste artigo possa criar a ilusão de que Raul Seixas nos presentearia com uma de suas ótimas canções, a sociedade a que me refiro é ainda mais presente que a musical: as redes sociais na internet.

Orkut Büyükkokten, criador do site de relacionamentos orkut
Quem nunca ouviu falar em orkut? Talvez o mesmo indivíduo que nunca pronunciou a palavra Google ou que, de forma geral, nunca acessou a internet. Pelo menos aqui no Brasil. O orkut (em minúsculo mesmo) foi lançado em 24 de Janeiro de 2004, então um projeto de Orkut Büyükkokten, um engenheiro do Google de nacionalidade turca. Hoje supostamente possui mais de 20 milhões de brasileiros cadastrados, 55% do total de usuários (nada pode ser afirmado categoricamente, visto que não se sabe a quantidade de perfis falsos no site ou com nacionalidade trocada).
Novos tempos, e as inovações tecnológicas se refletem na maneira como as pessoas se relacionam. As amizades da vida real são trazidas para a web, da web se tornam amizades no mundo real, ou muitas vezes são criadas e permanecem apenas em ambiente virtual.
Uma controvérsia visível no orkut é que todo mundo é amigo. Quando você adiciona alguém em sua lista de contatos, está afirmando que são amigos, quando na verdade podem apenas ser conhecidos da padaria ou da academia. Mas é aqui que entra o combustível das redes sociais: todo mundo quer ser popular. E a internet é uma forma muito confortável de buscar a popularidade.
Vale de tudo para ser pop. Adicionar centenas de conhecidos na lista de contatos, dedicar várias horas por dia escrevendo recados para os amigos, escrevendo depoimentos elevando-os a um altar enfeitado com diamantes e até mesmo declarar que é fã de Fulano (mesmo que Fulano seja o colega do primo da namorada do amigo). E no meio da busca por atenção, a paquera rola solta. Relacionamentos começam pelo orkut, mas a maioria termina por causa dele e através dele. É comum ouvir “se você tem namorada, não tenha orkut”; há 5 anos sua namorada teria ciúmes de um telefonema, e não de recados que você inadvertidamente recebe numa página na internet. A confusão da vida real com a virtual chega a extremos, como namorados que terminam por recado no orkut. Sim, eu conheço quem já fez isso.
Aqui no Brasil particularmente apenas o orkut tem uma expressiva fama dentre as redes sociais, algo que não se reflete em muitos países. Existem outros sites de grande sucesso, como FaceBook e MySpace. Acredita-se que, por causa da invasão brasileira no orkut, muitos usuários migraram para outras redes sociais. Isso se classificaria como xenofobia eletrônica?
O orkut também é utilizado de forma ofensiva. Lá nos deparamos com diversas práticas criminosas, é o caso de redes de pedofilia que fazem uso do site para compartilhar fotos e vídeos, além de seduzir crianças através da internet. Pessoas organizando rachas, planejando diversos outros crimes. Além disso, crackers vêem no orkut sua galinha de ovos de ouro, visto que a maioria dos internautas são crianças de 3 anos de idade quando o assunto é inocência e textos como “clique aqui”. Ainda escreverei sobre segurança aqui no TecnoSapiens. Enfim, é a velha história: nem todos fazem bom uso de uma ferramenta.
Novos costumes estão se infiltrando no cotidiano da vida urbana, e não se sabe até que ponto isto pode ser prejudicial à saúde (seja mental ou física). Enquanto esta dúvida prevalece, milhões de jovens estão neste momento, em um sábado à noite, em frente a uma telinha azul. Quanto a mim, hoje excepcionalmente deixo a internet de lado e vou aproveitar a vida real enquanto é tempo.