ago
30
2008

Simulação Computacional: Produto do Desenvolvimento Tecnológico

No Gravatar

Neste artigo vou tratar da necessidade de bons computadores para cálculos científicos, porque para nós que trabalhamos com simulações computacionais, computadores com grandes capacidades de processamento são iguais a dinheiro! Quanto mais se tem, mais se quer!

Convido-lhe, caro Leitor, a fazer comigo uma breve retrospectiva sobre a evolução tecnológica das últimas décadas. Qualquer pessoa com 18 anos de idade presenciou um grande avanço na tecnologia, este avanço se deu principalmente na área da microeletrônica (graças aos transistores).


Tudo começou por volta de 1970 quando surgiram novos equipamentos e novas técnicas de crescimento de materiais, estas técnicas ficaram cada vez mais refinadas o que possibilitou a fabricação de dispositivos cada vez menores. Para se ter uma idéia, hoje é possível crescer camadas de diferentes materiais umas sobre as outras (como se fossem vários discos empilhados), sendo que cada uma dessas camadas tem uma largura da ordem de alguns angstrons (um angstron é aproximadamente um fio de cabelo dividido por 100 000 vezes). Não se assuste! É isso mesmo, esses lasers que vemos por aí, por exemplo, possuem uma “coisinha” chamada “poço quântico” que tem algumas dezenas de angstrons de largura e que é a peça chave para o seu funcionamento.

Em conjunto com a evolução dos dispositivos semicondutores e, conseqüentemente, dos computadores, surgiu uma nova área de pesquisa cientifica conhecida como Simulação Computacional. Esta é uma área muito abrangente, pois além de ser amplamente utilizada em engenharia de fluídos (no Brasil uma das principais fontes de financiamento de modelagem computacional para fluídos é a Petrobrás), hoje em dia se faz simulações em quase todos os campos da ciência, tais como Matemática, Física, Química e Biologia. Essa nova ferramenta, Simulação Computacional, é um recurso usado por grupos de cientistas do mundo todo, pois os resultados obtidos por Simulações são muito mais baratos que os resultados obtidos diretamente de experimentos (em alguns casos os experimentos não são factíveis, porém Simulações Computacionais são perfeitamente permitidas), isso torna possível que o avanço científico seja cada vez mais rápido, pois resultados de experimentos podem ser previstos a partir de modelagem computacional, o que minimiza os custos e diminui substancialmente o tempo gasto em novas descobertas.

Durante muitos anos as Simulações que obtinham resultados importantes eram todas feitas em computadores de alto desempenho, os supercomputadores. Assim, os grupos de pesquisas que não dispunham de grandes quantidades de investimentos não podiam obter bons resultados, pois para se fazer uma modelagem mais realística possível do sistema estudado, era necessário (e o é até os dias atuais) uma quantidade muito grande de processamento e isso aumentava o custo em muitas ordens de grandeza. Porém, em 1995, foi implementado o primeiro cluster (um conjunto de computadores pessoais que trabalham em paralelo para resolver uma determinada tarefa), sendo o custo do processamento em cluster aproximadamente 10% do processamento em supercomputadores. Dessa forma os grupos de pesquisas mais “pobres” conseguiam obter melhores resultados.

Essas idéias de processamento paralelo foram amplamente difundidas e atualmente as indústrias que fabricam processadores passaram a utilizá-la, e já é facilmente possível encontrar no mercado microcomputadores com vários processadores. Porém não parou por aí, sistemas com multiprocessadores estão por toda parte (PlayStation 3) e principalmente naqueles onde se usam muitos cálculos matriciais, como é o caso dos Games (formação de imagens tridimensionais). De olho no mercado de Games, as indústrias de placas de vídeo entraram nessa empreitada e assumiram a posição de pioneiras em processamento de dados, hoje já se encontram placas de vídeo com mais de 100 núcleos (processadores) (http://www.nvidia.com.br/page/home.html).

Como todo pesquisador que trabalha com Simulação quer cada vez mais velocidade de processamento para aperfeiçoar seus resultados e baratear custos, não demorou muito surgir a idéia de se fazer cálculos usando clusters com PlayStation (veja essa matéria: cluster de playstation 3). O surgimento de novas placas de vídeo com alta capacidade de processamento de imagem, abriu novas possibilidades aos cientistas e foram absorvidas rapidamente por essa comunidade para fazer parte de suas ferramentas de Simulações Computacionais. Atualmente no Brasil, alguns grupos têm se mostrado interessados em adaptar seus programas de Simulação para usarem CUDA e GPGPU (Quer saber o que é CUDA e GPGPU? Acesse: CUDA, GPGPU e cuda o poder da gpu nvidia para processamento).

Será que teremos uma nova revolução na área de Simulações Computacionais? Ou será que em meio a essa rápida evolução surgirá um computador quântico e toda essa metodologia conhecida mudará completamente?

Em breve serão publicados aqui três artigos: Computador Quântico, Informação quântica e Criptografia Quântica.

  • Share/Bookmark

Written by Claudinei in: Informática, Novidades, Sociedade |

15 Comentários »

  • Paulo disse:

    Parabéns Claudinei! Excelente artigo!
    Quanto a quem terá maior importância no futuro, se o computador quântico ou o processamento auxiliado por placas de vídeo, esse último é bem mais promissor justamente por ser barato e já é uma realidade, ao contrário do computador quântico, que mesmo se fosse colocado no mercado hoje, seu preço seria exorbitante.

  • Paulo disse:

    Isso tá certo? A foto do Claudinei aparecendo no meu comentário? :P

  • Muito bem Claudinei, você sempre me surpreendendo. Concordo com o que o Paulo disse, dificilmente o computador quântico (que ainda não é realidade) irá tomar lugar a médio prazo, e certamente será economicamente inviável muitos anos após seu lançamento.

    Ah Paulo, resolvi. Era uma configuração errada no site!

    Abraços

  • Claudinei disse:

    Olá a todos!

    Talvez a dificuldade esteja na implementação, porque uma vez que for implementado de fato um computador quântico, acredito que ele será absorvido no mercado muito mais rápido do que foi absorvido os computadores comuns.

    Até mais.

    Claudinei Caetano de Souza.

  • Maury disse:

    e ae rapaz, blz!?
    muito boa sua iniciativa.

  • [...] por Simone Souza (simonefis?gmail·com) – referência [...]

  • Simone Souza disse:

    Muito bom este artigo, não?! Parabéns Claudinei!

    Acredito que o grande problema com o computador quântico seja sua implementação para um grande número de qbits (o que é isso? Veremos em um futuro artigo!), mas uma vez implementado creio que passará pelo mesmos “problemas” que os computadores atuais… caros demais no começo, mas acessíveis no futuro. Mas que será uma revolução… ah, isso será!
    Abraços

  • Weslley disse:

    Na minha opinião, existe um outro grande problema na computação quântica: ainda não foi estabelecida qual seria a base de um Qubit. Pontos quânticos ? Átomos leves excitados ? Semicondutores magnéticos ? Ao meu ver haverá primeiro uma evolução do uso do spin de forma mais simples (armazenamento de dados, por exemplo), o que já não é trivial, para depois haver uma evolução na computação quântica.

  • Perabéns pelo artigo, Claudinei. Só peço perdão pelo meu parco conhecimento tecnológico que não me permite fazer um comentário tão consistente quanto os anteriores.
    Há braços

  • Simone Souza disse:

    Concordo com você Weslley, de fato ainda não foi estabelecida a base de um Qbit e cada pesquisador tenta “vender o seu peixe” da melhor forma possível. Todas as áreas que você citou são promissoras, mas, a meu ver, ainda sofrem com o mesmo mal… a impossibilidade de implementação para vários Qbits. Mas, acredito na implementação do computador quântico, que certamente será sofrida, mas o que não é nesta vida não é mesmo?

    Abraços
    Simone Souza

  • Simone Souza disse:

    Frases que nos fazem pensar (tiradas do livro Computação Quântica e Informação Quântica – M. A. Nielsen e I.L. Chuang):
    “No futuro, os computadores não deverão pesar mais do que 1,5 tonelada.” (Mecânica Popular, prevendo a inexorável marcha da Ciência, 1949)

    e

    “Acredito que exista um mercado mundial para talvez cinco computadores.” (Thomas Watson, diretor da IBM, 1943).

    Viva a ciência e a tecnologia!

    Abraços

  • Vinicius disse:

    Bom pelo que tenhu visto, o computador Quântico ainda tem problemas em virar realidade. Tais como o domínio dos qubits por parte do hardware e a elaboração de uma nova arquitetura de tratamento dos sinais.

  • [...] Para continuar a discussão sobre um artigo que foi publicado aqui no TecnoSapiens, contemplando simulação computacional, convidei um de nossos leitores que é formado em Física computacional e mestrando na mesma área [...]

  • [...] a mesma coisa ? Escrito por Claudinei Mas uma vez estamos aqui para continuar a discussão sobre simulações computacionais. Para isso convidei novamente o estudante de pós-graduação Weslley Souza Patrocinio, aquele que [...]

  • [...] Não são a mesma coisa? 04- Google anuncia os vencedores do desafio de desenvolvedores Android 05- Simulação Computacional: Produto do Desenvolvimento Tecnológico 06- Instalando o Google Chrome: algumas impressões 07- História: Semicondutor antes de 1900 08- [...]

RSS feed for comments on this post. TrackBack URL


Leave a Reply

Template: TheBuckmaker.com Website Templates | Kostenloses Konto, PHP Scriptarchive

No TecnoSapiens você encontra artigos sobre:

adeona apple Backup bloomberg brasileiro broffice cabos submarinos calendário computador CUDA eficiência expandir gmail google google chrome guerra dos browsers hacker História home-office instalar laptop Latex Linux localização mecanismos de busca microsoft mpi navegadores obituario openmpi openoffice orkut pdf produtividade programação paralela rastrear redes sociais Semicondutores simulação computacional Software livre steve jobs tecnologia transistor Ubuntu windows