ago 08
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Tecnologia por Diogo Martino
Antes tarde do que nunca, algumas impressões sobre “tecnologia”.
A princípio, é interessante que se faça uma diferenciação entre os conceitos de “técnica” e “tecnologia”. A “técnica” é um conhecimento empírico, que, graças à observação, elabora um conjunto de receitas e práticas para agir sobre as coisas. “Tecnologia” é quando há aplicação da ciência para construção de um certo saber ou objeto, há aplicação de um modelo teórico, resumindo, é uma aplicação prática de teorias.
Apesar dessa distinção, o meu ponto pode ser interpretado tanto para “técnica” como para “tecnologia”. Por estar no título e ser o mote dos textos iniciais de meus companheiros, usarei a tecnologia como objeto de análise.
A idéia que venho trazer nesse texto é bastante simples, que por parecer muito óbvio acaba sendo ignorada muita vezes: a tecnologia existe basicamente para a resolução problemas humanos, os objetos e conhecimentos tecnológicos respondem a demanda humanas. A tecnologia consegue resolver problemas, mas não pode propô-los. Não tenho receio de afirmar que a proposição do problema é muito mais importante do que sua resolução, ainda mais nos dias de hoje.
Temos hoje em dia uma situação onde a tecnologia serve quase que totalmente às demandas do mercado, isso se dá de duas formas simples: a criação de tecnologia para melhorar o sistema produtivo e a criação de tecnologia para aplicação nos produtos. Dessa forma, tecnologia (assim como quase tudo) se tornou um produto, e não mais necessariamente responde a demandas humanas, ou não a demandas reais.
Num mundo de necessidades criadas, a tecnologia acaba se tornando um grande instrumento de controle sobre as pessoas, mais do que o controle físico ou mental de fato, há o controle por sua negação a parcela da população, há o controle ideológico (mito da ciência imparcial) e há o controle pela estrutura das relações homem-tecnologia (todos esses merecendo artigos futuros).
É bastante triste perceber que aquilo que proporcionou ao homem a liberdade de viver onde quisesse, sem temer muitas coisas que afligiam seus antepassados, que proporcionou uma liberdade quase que total aos aspectos naturais que tanto influenciavam-no no passado, hoje é instrumento de controle do homem sobre o homem. Quando digo “do homem sobre o homem”, quero dizer “do homem (particular) sobre o homem (público)”.
Tenho muitos outros apontamentos sobre tecnologia, principalmente no que diz respeito a relação entre homem e meio-ambiente, mas vou deixá-los para futuras oportunidades. Não considero a tecnologia algo necessariamente ruim, ainda mais diante do fato que ela é apenas um instrumento, serve a vontade humana. Também é fato que nossa civilização global foi criada em cima das muitas revoluções tecnológicas que ocorreram no decorrer do tempo. Trouxe essas palavras para gerar um pouco de debate entre as pessoas e quem sabe conseguirmos superar os mitos de tecnologia imparcial e desenvolvimento tecnológico como sinônimo de desenvolvimento humano.
Obs.: Agradecimentos a meu amigo José Pedro, que me indicou “Convite à Filosofia” de Marilena Chauí para entender alguns conceitos.