A Elite das Simulações Computacionais: Os Supercomputadores
Para continuar a discussão sobre um artigo que foi publicado no TecnoSapiens, contemplando simulação computacional, convidei um de nossos leitores que é formado em Física computacional e mestrando na mesma área no Instituto de Física da USP – São Carlos, para nos dar algumas informações importantes sobre a elite da Simulação Computacional. Este é um tema atual e o Brasil possui algumas dessas “feras” operando atualmente, e entre elas, o Netuno da Pebrobrás e UFRJ, que está entre os 500 maiores supercomputadores do mundo. Portanto apresento a você, caro leitor, Weslley Souza Patrocinio, nosso colaborador. Segue seu artigo!
O histórico dos computadores sempre envolveu situações aplicadas que precisavam ser resolvidas de forma rápida. Considerado o primeiro computador, o ENIAC foi criado para cálculos de balística em plena Segunda Guerra Mundial. Desde então, o computador evoluiu tremendamente, e novas tecnologias foram surgindo conforme a demanda de aplicações a serem resolvidas, e novas descobertas eram usadas no desenvolvimento de computadores mais modernos, o que criava um ciclo auto-suficiente.
O primeiro supercomputador a ficar mundialmente famoso foi o CRAY, por iniciar o que seria chamado de Processamento Vetorial, ou seja, uma mesma operação é aplicada em uma grande quantidade de dados, ao mesmo tempo, desde que não exista dependência entre os dados. A arquitetura destes computadores é extremamente complicada e exótica, comparada às arquiteturas mais comuns. O desempenho dos computadores era extremamente alto, entretanto seu preço chegava a algumas unidades de milhões de dólares. Tais arquiteturas exóticas, não só as desenvolvidas pela Cray Inc., dominaram por cerca de duas décadas o mercado da supercomputação.
Com o avanço da microeletrônica e dos circuitos integrados miniaturizando os componentes de um computador, uma nova vertente de supercomputadores surgiu: os compostos de milhares de processadores simples, as máquinas Massivamente Paralelas. Tais computadores têm um custo menor do que as arquiteturas vetoriais, e envolvem processadores já bem conhecidos pelos programadores, o que facilitava a programação.
Hoje em dia há um revezamento entre as duas vertentes de supercomputadores. Observando a lista dos supercomputadores mais rápidos do mundo (http://www.top500.org) vemos um domínio da IBM, com duas arquiteturas diferentes: O Blue Gene e o Roadrunner.
O Blue Gene nasceu de uma parceria entre a IBM, instituições de pesquisa (academia e indústria) para desenvolver um computador com alto custo/benefício quando aplicado a simulações de biologia, farmácia e outras aplicações que necessitassem de processamento massivo de dados. A estratégia de desenvolvimento foi criar um computador composto por milhares de processadores simples. Em alguns casos, o número de processadores pode chegar a centenas de milhares. Até junho de 2008 o Blue Gene ocupava o topo da lista do top500 (com um desempenho de cerca de 500 TFLPOS ), sendo desbancado pelo Roadrunner. Hoje, 4 entre os 10 computadores mais rápidos são Blue Gene’s.
Já o Roadrunner foi desenvolvido paralelamente pela IBM e Sony. A idéia era desenvolver uma nova arquitetura, que seria aplicada no mercado dos games (Playstation 3) e em outras aplicações com demanda em processamento dinâmico. Da parceria com a Sony nasceu o Cell, o qual consitui o Playstation 3 (daí vem o uso destes videos-game para processamento científico). Depois veio a idéia de construir um supercomputador composto por Cell’s, de onde nasceu o Roadrunner, o computador mais rápido do mundo atualmente, atingindo a casa dos petaFLOPS. Só por curiosidade, Roadrunner é o nome original do tradicional desenho animado Papa-léguas.
De acordo com os projetos em andamento da IBM, a tendência é usar a tecnologia de chips de alta densidade e de múltiplos core’s para construir chips onde cada unidade é constituída de dezenas ou centenas de processadores, praticamente um supercomputador. Com isso, devemos ver máquinas com desempenhos assombrosos, contribuindo com o desenvolvimento de novas tecnologias, as quais provavelmente serão usadas em novos computadores, mantendo assim o ciclo de desenvolvimento.
Weslley Souza Patrocinio
Contato: weslley.1985 em gmail.com
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6 Comentários »
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Olá Weslley, parabéns pelo artigo! Várias informações interessantes reunidas em um só lugar!
É realmente impressionante ver o desenvolvimento “assombroso” dos chamados supercomputadore e “engraçado” pensar em arquiteturas desenvolvidas para games sendo usadas para processamento científico.
Pelo que andei lendo, o Roadrunner foi desenvolvido para o departamento de energia dos Estados Unidos da América e eles planejam usá-lo para “simular como os materiais nucleares envelhecem e se o envelhecimento do arsenal nuclear dos Estados Unidos é seguro e confiável”. Espero que ele também seja usado para outros projetos e experiência de análises científicas.
O que eu posso dizer é: a pequena comunidade científica que poderá usufruir deste supercomputador agradece…
Abraços
Simone Souza
Parabéns pelo blog!!!!
Vou incluir nos meus favoritos.
Um abraço
Adilson
Bem-vindo ao TecnoSapiens, Weslley!
Seu texto está claro e esclarecedor. Eu não tinha idéia de como funcionavam e quem mexia com esses supercomputadores. Fiquei espantado com as informações que você expôs.
Não perca contato com a nossa equipe, blz?
Há braços
Muito bem Weslley,
Gostei muito do seu artigo. Confesso que mesmo trabalhando com informática, meu conhecimento a respeito de supercomputadores é mínimo, depois de ler tudo isso aqui, fiquei animado a pesquisar mais sobre o assunto!
Abraços
[...] de pós-graduação Weslley Souza Patrocinio, aquele que escreveu, aqui no TecnoSapiens, o artigo A Elite das Simulações Computacionais: Os Supercomputadores, para nos dar mais algumas informações sobre ferramentas que são usadas em computação de alto [...]
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