Mesmo Bill Gates, um dos homem mais bem sucedidos no ramo da tecnologia, reconhece algumas limitações da informática. O magnata sempre enfatizou que, antes de computadores, daria livros a seus filhos. A atitude do pai da Microsoft é nobre. Contudo, o conceito de livro está mudando, ou pelo menos o conceito de publicação.
Não é só nas bibliotecas e livrarias que se encerra o conhecimento. A internet, por meio de seu infinito conteúdo, e através de sites como El Aleph, Perseus, 4shared, o brasileiro Domínio Público e muitos outros similares, demonstra as transformações ocorridas na disponibilização de obras literárias ou de todas as outras áreas. Os sites citados acima contêm arquivos com textos digitalizados dos mais variados autores, dos clássicos aos contemporâneos. Antes, esse conteúdo todo só seria passível de consulta em suporte material. O suporte virtual, também conhecido como e-book, é, digamos, semi-material, pois nos põe em contato com o texto através do computador, mas não nos põe o livro nas mãos, a não ser que queiramos imprimir o texto digital.
Nossa geração passa por um período de transição lento que transformará profundamente o hábito da leitura. Paradoxalmente, a alta velocidade com que se proliferam as informações faz com que também seja aumentada a nossa velocidade de captação dessas informações, ou seja, aos poucos e de modo geral a leitura vai ficando cada vez mais fragmentada. Isso já apresenta reflexos no modo como lemos os diversos textos contidos em revistas, jornais ou internet, e igualmente na produção literária contemporânea, hoje mais sintética, muito mais objetiva do que há tempos atrás. Há, nesse esquema sintético, uma certa concessão para o público, afinal, com exceção de Harry Potter, Senhor dos Anéis e Código Da Vinci, as pessoas estão com cada vez menos fôlego para extensas leituras.
Os livros nunca deixarão de ser publicados, seduzindo os leitores pelo endosso das editoras e autores, pelas formas, cores, portabilidade e permissividade. A tela do computador não nos garante a sensação tátil, visual e olfativa do livro. Por outro lado, ela garante o armazenamento e manuseio asséptico de livros virtuais, além de permitir a localização de trechos ou palavras com rapidez relativamente maior do que no suporte material.
Torna-se, por fim, fundamental que compreendamos o surgimento dos e-books como mais um dos suportes para a leitura, e não como concorrente dos que lhe precederam. Assim como o avanço dos jornais diários no século XIX não decretou o fim dos livros, os e-books também não conseguirão fazê-lo.
- Outros artigos de Renato Capella (13) no TecnoSapiens.
Bom dia a todos!
Quanto a questão da portabilidade, nos próximos dez anos surgirá no mercado uma coisa que vai revolucionar a portabilidade de informações, pois existe uma área da pesquisa que trabalha na sintetização de novos polímeros, e eles prometem que logo teremos telas que poderemos enrolar como folhas de papéis. Eles ainda afirmam que será possível que ao invés de comprarmos um jornal em uma banca, apenas carregaremos a informação do jornal numa dessas telas.
Até mais!
Claudinei Caetano de Souza.
Olá Renato!
Concordo plenamente com suas palavras, não vemos aqui um exemplo de “out with the old, in with the new”, mas sim uma coexistência, e por que não, pacífica?
Agora, esse papo do Claudinei é muito bacana. Assim caminha a humanidade, sempre reinventando.
Abraços!
Alô!
Olha que engraçado: escrevi esse texto na terça e hoje fui ao Sesc pegar a programação de setembro. Além disso, peguei a Revista E, uma publicação do Sesc. Nela há um artigo que trata exatamente do mesmo tema que tratei. O nome do artigo é “Da página à tela”. Vejam no link: http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas/revistas_link.cfm?Edicao_Id=320&Artigo_ID=4991&IDCategoria=5711&reftype=2. É um assunto muito pertinente, não é plagio meu nem nada, rs.
Há braços
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