Manual de ficção científica
Tem gente que costuma desprestigiar as histórias de ficção científica por achá-las muito cheias de extrapolações. Quem pensa assim não percebe que é justamente essa a idéia básica desse gênero literário que tem fascinado leitores há aproximadamente três séculos.
Oficialmente, a primeira obra de ficção científica é o romance Frankenstein (1816), da inglesa Mary Shelley. Contudo, extra-oficialmente, há quem afirme que o francês Voltaire, com seu Micrômegas (1752), foi quem alocou a pedra fundamental do gênero. Mas isso são detalhes de pouca relevância, pois sabe-se que na literatura não existe essa coisa de pedras fundamentais, novidades absolutas etc. O que existe é um processo natural de diálogo entre gêneros e estéticas que desembocam em obras com novas facetas, obras que, sob as análises de teóricos da literatura, adquirem rótulos para efeito de melhor organização em estudos.

O escritor de ficção científica Isaac Asimov
Voltemo-nos, entretanto, ao trabalho de um autor que dedicou toda sua vida à ficção científica: Isaac Asimov (1920-1992). Russo naturalizado norte-americano, Asimov editou aproximadamente quinhentos livros, entre obras de sua autoria e apresentações de textos de outrem. Além de elaborar narrativas próprias, o autor buscou estabelecer uma teoria crítica sobre a ficção científica. Fê-lo em artigos esparsos que publicava em introduções de livros ou correspondências com amigos e leitores, acabando por reunir tais artigos no volume No mundo da ficção científica, livro de referência sobre o gênero.
No mundo da ficção científica foi publicado pela primeira vez no Brasil em 1984, pela editora Francisco Alves, com tradução de Thomas Newlands Neto. A compilação contém textos que abarcam as várias facetas dessa vereda narrativa através de linguagem bastante acessível, em prosa fluida, com o autor utilizando a primeira pessoa no desenvolvimento de cada tópico, escrevendo sem tensões lingüísticas. Trata-se de um verdadeiro manual de ficção científica que viaja por entre os meandros concernentes ao assunto, analisando seus maiores autores, os personagens mais marcantes, os temas mais recorrentes, questões de etimologia e por aí vai.
A partir da leitura de No mundo da ficção científica, passamos a entender o caminho percorrido por esse gênero e o porquê de ele exercer tamanho fascínio em milhões de pessoas.
4 Comentários »
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Não li muito de Asimov ainda, mas um autor do gênero que já li algumas coisas e gostei é Ray Bradbury, recomendo os dois que li: O Homem Ilustrado e Crônicas Marcianas.
Eu nunca fui leitor assíduo de livros de ficção científica. Mas eu concordo com a falta de sentido em alguém reclamar das “viagens” em enredos de ficção. Se não estas “viagens”, o que a ficção traz de interessante ???
Interessante mesmo foi este artigo. Parabéns Renato!
Grande Renato!!! Muito bom seu artigo hein? Mas, senti falta do pai do Capitão Nemo que foi um grande profeta de várias tecnologias do nosso mundo atual…
Abraços!!!
Já que estão recomendando outros autores de F.C., tem os excelentes Orson Scott Card e Phillip K. Dick. sse último teve várias de suas obras adaptadas para filmes, como Vingador do Futuro (Total Recall), Blade Runner (adaptação de Do the Androids Dream of Eletric Sheep?), Minority Report e o Homem Duplo (A Scanner Darkly).