set 08
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Túnel do Tempo: Os primeiros calendários
Olá, bom dia. Seja bem-vind@!
Hoje inicio minha série sobre o tempo e a medição do tempo ao longo da aventura humana na Terra. Começarei falando de coisas velhas: os calendário das civilizações antigas. Espero que vocês gostem e comentem, para saber o que devo melhorar para as próximas edições.
As técnicas de medida de intervalo de tempo geralmente fazem uso de fenômenos repetitivos (naturais ou artificiais) como fundamento – existem outras maneiras, que detalharei em outros artigos. Antigamente, antes mesmo da invenção da escrita, a humanidade não detinha conhecimentos, técnicas ou tecnologias que permitissem a construção de artefatos que os auxiliassem na medição do intervalo de tempo. Então eles tinham que recorrer aos fenômenos naturais. Dentre estes fenômenos os mais utilizados foram os movimentos dos corpos celestes.
Os corpos celestes (como o Sol, a Lua, os planetas e as estrelas) forneceram aos povos antigos uma referência para que fossem feitas medidas da passagem do tempo. As civilizações antigas utilizaram os movimentos aparentes destes corpos celestes para determinar as estações do ano, os meses e os anos.
Para você ter idéia da antiguidade dessas técnicas de medição de tempo que envolvem a observação dos corpos celestes, há cerca de 20.000 anos, os caçadores faziam medição de tempo contando os dias entre as fases da Lua, por meio de marcações em gravetos e ossos. Essa forma de marcação é semelhante àquela que vemos em alguns filmes de prisões, em que os presos riscam a parede para contar os dias de reclusão.
Pouco se sabe sobre os detalhes da medição do tempo (na verdade o intervalo de tempo é a grandeza medida) que era feita nos tempos pré-históricos, mas as descobertas arqueológicas indicam que em todas as civilizações antigas algumas pessoas estavam preocupadas com a medição do tempo, seja por motivos religiosos, agrícolas ou de estudo dos fenômenos celestes (uma forma antiga de astronomia).
Essas observações celestes permitiram a elaboração de calendários. Destes calendários, os mais comuns são os lunares e os solares. Os calendários solares são aqueles que indicam a posição da Terra em seu movimento de rotação ao redor do Sol ou, de maneira equivalente, a posição aparente do Sol movendo-se no céu. Já os calendários lunares são baseados nos ciclos das fases da Lua no céu.
Nestas épocas antigas os calendários estavam intimamente relacionados com religiões e crenças e também às observações astronômicas. Evidências dessa associação podem ser encontradas em Stonehenge, que foi construído por volta de quatro mil anos antes de Cristo e que está cuidadosamente alinhado para marcar o momento do solstício de verão, que é o dia mais longo do ano, além de permitir o estudo de eclipses lunares e outros eventos celestiais.
Os Sumérios – uma civilização mesopotâmica, também elaboraram um calendário, que dividia o ano em 12 meses de 30 dias, sendo que os dias eram divididos em 12 períodos (que equivalem a duas horas), e dividiam cada um destes períodos em 30 partes (aproximadamente 4 minutos). Considerando que a civilização suméria floresceu entre 5.300 e 2.000 anos antes de Cristo, a precisão de seu calendário é impressionante. Impressiona, também, a quantidade de tecnologias associadas a esta civilização: a roda, a escrita cuneiforme, aritmética e geometria, sistemas de irrigação, barcos, bronze, couro, serras, formões, martelos, cintas, bocados, pregos, pinos, anéis, machados, facas, lanças, setas, espadas, colagem, punhais, sacos, chicotes de fios, armaduras, carruagens de guerra, sandálias e arpões.
Além de toda esta tecnologia, os Sumérios foram o primeiro povo a morar em cidades e o seu sistema de numeração (de base 60) está na origem tanto dos “60 minutos em uma hora” quanto na fundamentação de alguns conhecimentos geométricos, tais como: a) um círculo possui 360 graus; b) um grau possui 60 arcos de um minuto; e c) cada arco de minuto possui 60 arcos de um segundo.
Os Egípcios também elaboraram um sofisticado calendário que, inicialmente, utilizava os ciclos das fases da Lua e que depois passou a utilizar o movimento da estrela Sirius, que passa próxima ao Sol a cada 365 dias, na mesma época em que a inundação anual do Nilo têm início. A partir destes conhecimentos, eles desenvolveram um calendário de 365 dias por volta de 3100 anos antes de Cristo. É importante destacar que os Egípcios alcançaram esta precisão em seu calendário em decorrência, principalmente, de sua localização geográfica (próxima à linha do Equador).
Maias e Babilônios, também elaboraram calendários: os Maias possuíam um calendário de 365 dias e os Babilônios um calendário de 354 dias. Os registros dos calendários Maias indicam que eles acreditavam que o mundo havia sido criado por volta de 3150 antes de Cristo. Além disso, os calendários Maias foram incorporados pelos Astecas à “Pedra do Sol”, também conhecida como calendário Asteca.
Com o passar do tempo foi necessário melhorar a medição do tempo e, além das observações celestes, o homem passou a buscar maneiras para medir um intervalo de tempo cada vez menor e com maior precisão. Foi assim que surgiram os relógios, que tanto nos controlam e oprimem atualmente.
Para saber mais sobre os primeiros tipos de relógios construídos, volte aqui na semana que vem.



