mai
31
2009

Algumas palavras sobre democracia digital

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Na quinta e sexta-feira (dias 28 e 29 de maio) participei de um mini-curso intitulado “Democracia Digital: Fundamentos e Práticas no Brasil e nos países da OCDE”, ministrado pelo professor Danilo Rothberg, da Universidade Federal de São Carlos. Gostei tanto do mini-curso e do conceito de democracia digital que resolvi compartilhar algumas ideias com os leitores do TecnoSapiens.

A democracia digital não se confunde com a inclusão digital ou com a alfabetização digital, apesar de apresentar uma relação amigável com estes conceitos. Algumas pessoas chegam a afirmar que para uma efetiva democracia digital, tanto a inclusão quanto a alfabetização seriam pré-requisitos para uma real democracia digital. Eu creio que, apesar de serem condições necessárias, não são suficientes.

Mas, afinal de contas, o que é democracia digital?

Réplica da Deusa da Democracia - fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Goddess_of_Democracy_replica.jpg

Réplica da Deusa da Democracia - fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Goddess_of_Democracy_replica.jpg

A democracia digital consiste, resumidamente, em mecanismos que permitam a formulação compartilhada de políticas públicas e legislações que sustentam as políticas públicas em qualquer nível de governo (Nação, Estado e Município) e em qualquer poder (Executivo, Legislativo e Judiciário). A principal maneira pela qual a democracia digital se realiza é por meio da disponibilização de consultas públicas.

As consultas públicas têm, por finalidade, promover a participação da Sociedade no processo de tomada de decisão nas ações Governamentais. Trocando em miúdos: o governo faz uma consulta à população sobre: uma lei, um projeto de lei, um plano diretor, uma política pública etc..

Entretanto, para que uma boa democracia digital aconteça, é necessário que a população participe da consulta pública e que as participações da população sejam consideradas, quando da formulação da versão final da lei, caso este seja o assunto da consulta digital.

Além disso, uma boa democracia digital exige que as contribuições e comentários feitos fiquem disponíveis e que os processos de alteração do documento relacionado à consulta pública fiquem bem esclarecidos.

O Brasil vem dando os seus primeiros passos no longo caminho que leva a uma boa democracia digital. Veja algumas iniciativas brasileiras, nestes endereços eletrônicos:

  1. Governo Eletrônico – Consultas Públicas
  2. Consultas Públicas da Anvisa
  3. Consultas Públicas do Ministério da Saúde
  4. Consultas Públicas da ANEEL

Em minha humilde opinião acredito que a democracia digital possa ser uma excelente oportunidade para termos uma participação mais efetiva no estado democrático no qual vivemos. O que você acha?

Você gostou ou detestou este artigo?
Quer saber mais sobre democracia digital?
Quer deixar um link para alguma consulta pública?
Use a seção de comentários.

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Written by Rodrigo in: Democracia digital, Internet | Tags:

4 Comentários »

  • edd disse:

    Olá,
    Gostei da idéia q foi levantada por vc sobre democracia digital e estou fazendo um trabalho sobre esse tema e gostaria que vc me indicasse algum link ou alguns documentos pra me aprofundar mais no assunto.
    Obrigado

    • Rodrigo disse:

      Olá Edd…. boa noite.
      Muito obrigado pela visita ao site e pelo elogio…
      Bem, dê uma olhada no Lattes do professor Danilo (http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4795523Y0) e tente encontrar os artigos dele. Também tem este trabalho: http://www.fafich.ufmg.br/compolitica/anais2007/gt_ip-jamil.pdf.
      Abraços e boa sorte no seu trabalho.

    • Lucas K. Oliveira disse:

      Este tema, também chamado de e-gov (governo eletrônico, governo digital, democracia eletrônica, democracia digital, inovações democráticas, práticas inovadoras de democracia e participação), é recente, mas no Brasil temoas alguns especialistas de destaque, como os profs. Danilo Rothberg (UFSCar), Marco Cepik (UFRGS) e José Eisenberg (UFJF).

      A seguir alguma bibliografia a respeito do tema e de outras inovações democráticas / de participação política. abraço, :

      BRAGATTO, Rachel Callai (2006) “Participação Democrática e Novas Tecnologias de Comunicação: mapeando diretrizes Políticas e o uso da Internet pelos Governos do Brasil e da Argentina”. I Congresso Anual da Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação e Política. Salvador, BA.

      BRAGA, Sérgio Soares (2007). Podem as novas tecnologias de informação e comunicação auxiliar na consolidação das democracias? Um estudo sobre a informatização dos órgãos legislativos na América do Sul. Opinião Pública, vol. 13, nº 1, p. 1-50.

      CEPIK, Marco ; EISENBERG, J. M. ; EKLUND, M. S. (2001) Desenhos Institucionais em Informática Pública: Estudo Comparativo em Quatro Cidades Brasileiras. Rev. IP Informática Pública, Belo Horizonte, MG, vol. 03, nº 02, p. 47-72.: [22p/26pgs]

      MIGUEL, Luís F. (2005). Impasses da accountability: dilemas e alternativas da representação política. Revista Sociologia Política, nº 25, Nov., p.25-38.

      ROTHBERG, Danilo (2008). Por uma agenda de pesquisa em democracia eletrônica. Opinião Pública, vol. 14, nº 1, p. 149-172. [19p./24pgs.]

      SANTOS, Maria L. (2003) Mídia, Parlamento e Democracia: as TV’s Legislativas como instrumento de accountability vertical no Brasil. XXVI Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação INTERCOM, 2 a 6 de set. de 2003. BH, MG. [149Kb, 12p]

      SILVA, Sivaldo, P. (2005) Graus de participação democrática no uso da internet pelos governos das capitais brasileiras. Revista Opinião Pública, vol.11, nº 2, pg. 450-468, out. 2005. Campinas, SP. [226Kb, 19pgs]

      SOUZA, Celina (2001) Construção e Consolidação de Instituições Democráticas: papel do orçamento participativo. Revista São Paulo em Perspectiva. Vol. 15, nº 4, [14 pgs]

      VITALE, Denise (2004). Reforma do Estado e democratização da gestão pública: a experiência brasileira do orçamento participativo. IX Congreso Internacional del CLAD sobre la Reforma del Estado y de la Administración Pública, Madrid, Espanha, 02–05/11/2004, p. 1-19.

      WAMPLER, Brian (2008). A difusão do Orçamento Participativo brasileiro: “boas práticas” devem ser promovidas?. Revista Opinião Pública. vol. 14, nº 1, p. 65-95. [31 pgs.]

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