mai 09
19
Origem da Tecnologia
Olá pessoal! É com grande satisfação que trago a vocês mais uma interessante contribuição de um de nossos leitores. O texto que segue é de autoria de Otávio Barduzzi Rodrigues da Costa. Não deixem de comentar! E ao fim do artigo poderão ter acesso ao e-mail do Otávio caso queiram entrar em contato.
O ser humano utiliza a técnica-tecnologia de modo diferenciado, mas não o faz de modo exclusivo. Na natureza, inúmeros outros animais utilizam tecnologia. Alguns exemplos são: o joão-de-barro, por exemplo, na construção de seu ninho; os castores, em suas represas, os térmitas em suas colméias. Porém, só o homem pode transformar a natureza em artificial, ou seja, só ele tem a habilidade de artífice, de modo a aprimorar seus instrumentos para adequá-los às suas necessidades.
Também tem capacidade de design, ou seja, de enxergar em um objeto bruto um formato que naturalmente não existia e aplicá-lo às suas necessidades mediatas ou imediatas, no sentido adorniano da expressão.
Obviamente, essa capacidade envolve um mistério: o homem evoluiu por causa dela ou a evolução deu-lhe essa capacidade? A resposta não pode ser dada de modo tão simplista, mas encarada como um processo emergente e complexo.
Essa evolução se diferencia daquela do simiozinho das árvores, em que ele desce para as savanas, tornando-se ora caçador, ora caçado, produzindo suas armas, seus utensílios e seus abrigos, cujos processos são indissolúveis dos processos de socialização do homem (MORIN 1985 p.87) , pois era necessário que ele ficasse junto para sobreviver aos predadores e de outros grupos sociais em busca de água. A antológica cena cinematográfica do início do filme 2001, Odisséia no espaço, de Stanley Kubrik, pode realmente ter acontecido várias vezes no início de nosso processo evolutivo.
No crescimento das cooperações e competições vão surgindo a linguagem e a cultura, que, por sua vez, vão se complexando e completando (MORIN 1985p.89) .
Morin (1985) chama este processo de morfogênese multidimensional sociogenética (p.40). Este termo pode ser compreendido mais corretamente quando se pensa nas múltiplas dimensões do sistema evolutivo: cérebro / mão / técnica / linguagem / cultura: sistema este que se integra e se completa emergindo as qualidades próprias do ser humano. É evidente que esse desenvolvimento pode ser mais complexo a cada passo evolutivo do homem, partindo do Proncosul até o Homo sapiens sapiens.
Entre os dois elementos (Proncosul e Homo sapiens sapiens), temos um sistema evolutivo bem peculiar e cheio de fases evolutivas, que os darwinistas chamavam de elos evolutivos, estes ainda não enxergando uma dinamicidade da vida dada pela visão sistêmica.
Esses elos, na verdade, estão em profunda mudança dinâmica da qual vão emergindo novas formas mais adaptadas ao meio. Essa adaptação, pelo uso de tecnologia, de novas formas de caça, vai mudando e até criando a linguagem (CORBALLIS, 1993, p. 99). O homem vai transformando o meio e se adaptando ao mesmo numa relação emergente.
Essa evolução às vezes emerge, dando um salto com o aparecimento de uma “novidade genuína” (EL-HANI, 2002) , como a criação de artefatos em pedras (armas) que, por sua vez, foi possibilitada pela bipedalização e talvez por um crescimento no córtex pré-motor existente pela primeira vez no Homo habilis.
Desse modo, o uso de tecnologia, advindo como resultante do bipedalismo (liberação dos braços), trouxe inúmeras conseqüências para a inteligência humana, a saber: maior possibilidade de variar a alimentação, logo maior aumento populacional e possibilitou novas proteínas cerebrais; transformação do meio ambiente; troca de informações complexas (simbólicas) para ensinar o uso e a fabricação de tecnologia aos novos membros da tribo; troca de informações simbólicas para elaborar estratégias de caça; uso de pele de animais com a variação da temperatura, mais tarde (Homo erectus); uso do fogo. Inúmeras outras mudanças, simplesmente a tecnologia, fizeram romper seus limites animais naturais, possibilitando um novo universo ao alcance do pensamento hominídeo onde ele nunca esteve antes, um universo de capacidade de design, de rompimento com a natureza, de novos pensamentos; poder finalmente pensar em novas possibilidades além daquelas limitadas ao próprio corpo em relação com o ambiente. Havia agora um mediador além do corpo para transformar o ambiente e prover suas novas e constantes necessidades – o instrumento.
Para entrar em contato com Otávio, escreva para joebarduzzi#yahoo.com.br (substitua # por @). Acesse também seu blog: http://profotavio.zip.net