Sobre o Tempo – 1ª Parte

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Bom, esse post é baseado num trabalho feito para a disciplina “Estudos Sociais” do curso de Arquitetura e Urbanismo da USP São Carlos. As questões do tempo está intimamente relacionada com as discussões sobre tecnologia. O que é o desenvolvimento tecnológico se não uma maneira de tentar modificar a relação do “homem” com o seus “tempos”? Esse texto foi inspirado no texto “Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial”, presente no livro “Costumes em Comum”, de E. P. Thompson. Leiam, reflitam e comentem!

- Do “início” à Revolução Industrial

Pode-se dizer que houve processos de transformação das idéias de tempo e das relações do homem com estas. Com um princípio associado principalmente ao tempo “natural”, ou seja, os ritmos das atividades humanas são fortemente influenciados pelos ciclos naturais. Esse tempo “natural” sempre teve bastante influência nas atividades agrícolas, e atividades de sub-existência de populações com baixo nível tecnológico. Através de processos de divisão social do trabalho e conseqüente divisão entre cidade e campo, pôde ser construída uma outra idéia de tempo, um tempo urbano. Este estava ligado às atividades do homem na cidade, sem uma influência tão forte dos ciclos naturais. Sua influência cresce com a fortificação das cidades como forma de organização da ocupação territorial, principalmente a partir do fim da Idade Média.

É de se questionar se esse novo tempo urbano pode ser considerado um tempo “humano”. É claro que uma noção do tempo e um ritmo de vida só podem estar ligados ao próprio homem, mas a idéia de um ritmo que não estava diretamente relacionada a algo extrínseco ao homem era algo possível apenas num ambiente não-natural, distante disto.

É possível afirmar que o ritmo urbano era mais “humano” no sentido que estava vinculado àquilo que era considerado mais “humano” à época, a própria cidade. Através da cidade, o homem parecia estar menos voltado para as atividades de sub-existência e podia, dessa forma, estabelecer outras relações com o Mundo, que, nesse caso, é a cidade habitada pelo homem. São criadas rotinas, rituais e vivências que possuem essencialmente a cidade como palco, que provavelmente não seriam possíveis em outro contexto, uma cultura urbana é criada.

A idéia de tempo que vem sido construída nesse ambiente urbano, com maior impulso a partir da Revolução Industrial, é do tempo mecanizado, tempo abstrato defendido como “puro”, tido como certo, sem conteúdo ideológico ou político. Esse tempo se associa à produção nos moldes capitalistas, ao salário e ao lucro. As ideologias do capitalismo reforçam o uso do tempo para o trabalho, no caso das massas trabalhadoras. O trabalhador se torna refém desse tempo, pois perde totalmente o controle sobre este. Essa concepção se contrapõe não só ao tempo “natural”, tido como rural de baixo nível tecnológico, mas também a vários elementos da cultura gerada pela urbanidade, tidos como contraproducentes.

E hoje, quais as formas de entender o tempo que temos vindo à tona? Essa é uma discussão para o próximo post. Virá em breve.

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