Sobre o Tempo – 2ª Parte

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Muito bem, pessoal, para completar o post que eu havia começado, estou publicando a segunda (e última) parte do texto. As questões colocadas são: quais são as idéias de tempo difundidas hoje em dia e como as novas rotinas e  tecnologias tem modificado nossas sensações e nossas relações com o tempo.

Tempo moderno = “não-tempo”?

O que temos hoje? O ritmo de vida se manteve vinculado à produção, de certa forma, mas a afirmação e defesa do trabalho se expandem para outras funções e se amplia em relação às classes. Não é apenas o trabalhador ligado à produção de bens, mas também a pequena burguesia e elite, nas figuras do executivo, do gerente, do profissional liberal, etc.

A própria produção se modificou, o trabalho se modificou e as atenções começaram a se voltar para o consumo. As atividades de serviços se expandiram e criaram um valor econômico sem precedentes. O tempo “livre”, tão condenado no início da Revolução Industrial, se tornou um produto, produto a ser vendido e consumido. A defesa do trabalho se transforma na defesa do trabalho e do consumo.

Existe hoje uma condição até então inédita. Alguns elementos contribuem para tal. Primeiramente, a criação de rotinas de trabalho em horários cada vez menos síncronos entre si, a criação de rotinas de consumo para suprir as demandas desse trabalho e conseqüente criação de novas rotinas de trabalho para suprir esse consumo. Em grandes centros urbanos, encontram-se situações de rotinas invertidas em relação ao convencional e prestação de muitos serviços 24h.

Em segundo, temos um fenômeno que age no mesmo sentido, que tem atingido principalmente as classes mais ricas, mas se difunde pela sociedade em geral. Tratam-se das tecnologias de informação, principalmente aquelas ligadas à Internet. A informação e a comunicação não exigem mediações concretas com o Mundo, não exigem um tempo e um espaço necessários para obtê-las. O tempo é o instantâneo e ao mesmo tempo é o perene, não se ganha nem se perde nada com seu correr; a todo tempo, sem distinção de período, em quaisquer condições externas, é possível se relacionar com o Mundo e com as pessoas. É como um “não-tempo” e um “não-espaço”.

É possível ver as relações entre essas idéias de tempo, e é de se notar que apesar de em alguns casos, em que uma idéia tenta sobrepujar outra, estas se mantém paralelamente na sociedade e muitas vezes se mesclam. Talvez, mais importante que a existência desses vários “tempos” seja entender onde e em que época cada um destes se apresentem mais fortemente, fazendo recortes sociais, econômicos, étnicos e culturais, e buscar as razões para tal.

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