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A produção de biodiesel
O biodiesel, monoalquil-éster de ácidos graxos, é um combustível biodegradável, derivado de fontes renováveis, provenientes de óleo vegetal ou de gordura animal. Pode ser utilizado integralmente ou em variáveis proporções com o diesel, em motores do ciclo a diesel, sem a necessidade de onerosas adaptações.
No Brasil, a Lei 11.097/05 define biodiesel como “biocombustível derivado de biomassa renovável para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão ou, conforme regulamento para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil” .
As especificações para biodiesel no Brasil são menos restritivas que na Europa, permitindo produção com base em diversas matérias-primas. Essa flexibilidade das especificações contribuiu não só para maior competitividade entre matérias-primas, mas também para a diversificação da produção em termos regionais.
Há três rotas tecnológicas que estão sendo estudadas para a substituição do óleo diesel por derivados de óleos vegetais:
- O uso do óleo vegetal in natura;
- O craqueamento catalítico ou térmico refere-se ao processo químico provocado pela quebra de moléculas por aquecimento em altas temperaturas, formando uma mistura de compostos químicos com propriedades muito semelhantes às do diesel de petróleo;
- A transesterificação, o processo mais utilizado mundialmente, consiste na reação química de triglicerídeos (óleos e gorduras vegetais ou animais) com álcoois (metanol ou etanol), na presença de um catalisador (ácido, básico ou enzimático, sendo os mais utilizados NaOH ou KOH), obtendo a glicerina e o éster (biodiesel).
A glicerina, subproduto da obtenção de biodiesel, é um produto de alto valor agregado quando utilizado na indústria farmacêutica, de cosméticos e alimentos e bebidas, entre outros. Pode ser utilizada como um combustível de baixa qualidade em caldeiras, em substituição ao óleo combustível. Porém, a sua queima exige controle de emissões de substâncias tóxicas como a acroleína, um poluente altamente tóxico.
A experiência internacional indica uma tendência à adoção da transesterificação com a utilização do metanol (rota metílica). Uma rota alternativa desenvolvida no Brasil utiliza o etanol (rota etílica) na mistura, mas essa tecnologia ainda necessita de aperfeiçoamentos no processo produtivo em escala comercial. As principais diferenças entre essas duas rotas decorrem do fato de que o processo de transesterificação com etanol é mais lento e a separação das fases (glicerina-biodiesel-álcool) é mais complexa. Apesar de o etanol ser abundante no Brasil, renovável e de baixa toxicidade, o seu preço é superior ao do metanol. Esse último, por sua vez, é importado, não-renovável, tem grande toxicidade e menor poder de combustão.