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	<title>TecnoSapiens &#187; Contos</title>
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	<description>De pedras lascadas a mentes afiadas</description>
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		<title>Conto sobre um Analista de Sistemas</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 16:09:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Carvalho</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[Thiago é um destes jovens da nova geração (esta antecede a próxima, que já virá da maternidade com portas USB integradas) e busca fazer uso de tudo o que a internet tem para oferecer, até o último byte. Outro dia vi ele fulo da vida na lanchonete da dona Josefa, dizendo que roubaram uma de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img style='float: left; margin-right: 10px; border: none;' src='http://www.gravatar.com/avatar.php?gravatar_id=0c473b1b4ba3d0bd5c2f3a2dcafad533&amp;default=http://www.tecnosapiens.com.br/images/defgravatar.gif' alt='No Gravatar' width=60 height=60/><p style="text-align: justify;">Thiago é um destes jovens da nova geração (esta antecede a próxima, que já virá da maternidade com portas USB integradas) e busca fazer uso de tudo o que a internet tem para oferecer, até o último byte.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro dia vi ele fulo da vida na lanchonete da dona Josefa, dizendo que roubaram uma de suas ideias e batizaram de Google Plus, me mostrou até um rascunho em folha de caderno, uns diagramas em letras tremidas. Fiquei imaginando que curioso seria o Thiago indo a tribunal contra a Google alegando que roubaram seu círculo. Quando eu disse pra ele que a ideia não era assim tão única e genial, ele fez uma cara brava meio assim: &gt;.&lt; , e pelo tom de voz, eu sabia que se estivéssemos no MSN ele teria me bloqueado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não entendia muito bem a dinâmica do meu amigo, o tempo todo estava online. Uma vez vi uma reportagem na TV sobre pessoas viciadas em informação, mas não sei até que ponto podemos chamar Tíbia ou RedTube de canais de informação.</p>
<p style="text-align: justify;">Certa vez ele entrou no Bate-Papo do UOL e começou a xavecar uma mulher mais velha, chegaram a trocar telefone. Tempos depois minha mãe veio me falar de um garoto bonito que conheceu na internet, mostrou a foto toda orgulhosa e eu não sabia onde enfiar a cara, era o maldito Thiago. Conversei com ele sobre a situação, e ele me disse que estava apaixonado pela minha mãe, lembro que precisei de muita paciência pra convencê-lo a manter todos os dentes da boca.</p>
<p style="text-align: justify;">Houve um episódio no entanto que eu nunca vou esquecer, está bem gravado em minha memória ROM. Por mais estranho que possa parecer, Thiago tinha 5 ex-namoradas. Certa vez um amigo me disse que todo produto tem seu mercado, e isso cabia bem à situação. Bem, eu estava voltando da faculdade e resolvi visitá-lo, fazia semanas que não nos víamos. Chegando ao apartamento dele, o encontrei em meio a livros de PHP e MySQL, estava visivelmente concentrado em um projeto e resolveu compartilhá-lo comigo. Como ele alegava ser o detentor da ideia do Google Plus, imaginei que ele estivesse desenvolvendo alguma nova e revolucionária rede social, mas qual minha surpresa quando ele me mostrou um diagrama entidade-relacionamento e era baseado em seus relacionamentos passados?</p>
<p style="text-align: justify;">- Mas Thiago, me diz, qual o objetivo desse projeto?<br />
- Veja bem, meu amigo, um belo dia eu tava em casa assistindo aquele filme absurdo, Mulher Nota 1000, já viu esse?<br />
- Vi sim, não é aquele em que dois nerds criam uma mulher no computador e dão vida a ela numa tempestade?<br />
- Esse mesmo! Pois bem, eu vi esse filme, achei ridícula a ideia dos caras! Óbvio que não é possível criar uma mulher no computador, alguém pra se ter um relacionamento, ou qualquer coisa que o valha. Mas, veja bem, o computador pode me indicar a parceira ideal!<br />
- Peraí Thiago, explica melhor esse periquito, não tô acompanhando. Você tá falando do Badoo?<br />
- Que Badoo o que, cara! Algo muito melhor que isso. Sabe, eu nunca entendi muito bem porque meus relacionamentos não deram certo, mas tenho em minha memória uma série de atributos e características de cada um deles, de cada uma das garotas. Vou alimentar uma base de dados com todos os atributos que eu não quero em uma parceira, daí vou selecionar minha próxima namorada por exclusão. Como farei isso? Utilizando avançadas técnicas de inteligência artificial e API’s das redes sociais mais famosas; vou fazer uma varredura na web eliminando todas as garotas, até que sobrará a parceira ideal. Se sobrar mais de uma, que seja dezenas ou centenas, vou atribuir um código para cada uma e sortear a escolhida.<br />
- Porra Thiago, que ideia genial!<br />
- Eu sei, gostou?<br />
- Adorei, só tenho uma observação a fazer, talvez você até queira reconsiderar seu algoritmo.<br />
- Opa, diga, é muito importante ter feedback. Qual a observação?<br />
- Você é um idiota.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.tecnosapiens.com.br%2F2011%2F07%2Fconto-sobre-um-analista-de-sistemas%2F&amp;title=Conto%20sobre%20um%20Analista%20de%20Sistemas" id="wpa2a_2"><img src="http://www.tecnosapiens.com.br/home/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>O processo de Scarlet Davis</title>
		<link>http://www.tecnosapiens.com.br/2008/11/scarlet/</link>
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		<pubDate>Wed, 12 Nov 2008 20:18:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Capella</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[A atriz Scarlet Davis era tão rica que tinha até uma ilha particular, e era esse o único lugar do mundo onde se sentia completamente à vontade, livre do assédio de fãs e produtores. Suas atuações impecáveis lhe renderam vários prêmios, fama e dinheiro, muito dinheiro. Sempre que se sentia sufocada demais com a rotina [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img style='float: left; margin-right: 10px; border: none;' src='http://www.gravatar.com/avatar.php?gravatar_id=0d68a16d8e31088d69663f272a476dda&amp;default=http://www.tecnosapiens.com.br/images/defgravatar.gif' alt='No Gravatar' width=60 height=60/><p>A atriz Scarlet Davis era tão rica que tinha até uma ilha particular, e era esse o único lugar do mundo onde se sentia completamente à vontade, livre do assédio de fãs e produtores. Suas atuações impecáveis lhe renderam vários prêmios, fama e dinheiro, muito dinheiro. Sempre que se sentia sufocada demais com a rotina dos grandes centros urbanos, Scarlet recorria a sua ilha. Esta fica no Extremo Oriente e foi batizada pela proprietária como Sudnimô.</p>
<p>Certa vez, ao retomar o trabalho após longa estada na ilha, a atriz se impôs o dever cívico de colocar na justiça mais um processo contra algo terrível que lhe haviam feito, pois, do nada, muitas pessoas começaram a rir de Scarlet quando a viam na rua. Por quê?</p>
<p>A atriz só foi entender ao ver suas partes pudendas expostas involuntariamente numa infinidade de sites da internet. Como?</p>
<p>Acontece que certo recurso de internet que captura imagens da Terra ao vivo via satélite flagrou momentos de descontração de Scarlet Davis em Sudnimô, momentos esses em que a atriz passeava nua pelas praias de sua propriedade. Logo, milhões de pessoas ao redor do mundo passaram a conhecer pormenores corporais que Scarlet sempre se esmerara tanto em omitir.</p>
<p>Scarlet perdeu o processo, pois a empresa dona da tecnologia que fotografou a intimidade da atriz alegou que esse é um recurso-chave para a segurança mundial e que as fotos da nudez da moça foram meramente acidentais, haja vista o projeto de proteção ambiental que previa o mapeamento fotográfico da região ao redor de Sudnimô.</p>
<p>Como dizia o sábio escritor Alaor Clapteen, melhor perder a vergonha a perder a paciência.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.tecnosapiens.com.br%2F2008%2F11%2Fscarlet%2F&amp;title=O%20processo%20de%20Scarlet%20Davis" id="wpa2a_4"><img src="http://www.tecnosapiens.com.br/home/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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		<title>Celular novo</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Nov 2008 22:55:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Renato Capella</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Lucas achou que fazia bom negócio comprando aquele celular de última geração para Adriana, sua namorada. — Adorei, Lu. Obrigada. Eu te amo. Naquele aniversário de Adriana o casal abdicou dos prazeres carnais e demais divertimentos próprios dos relacionamentos amorosos humanos, para, no lugar disso, explorar os incontáveis recursos daquele aparelho que, entre muitas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<img style='float: left; margin-right: 10px; border: none;' src='http://www.gravatar.com/avatar.php?gravatar_id=0d68a16d8e31088d69663f272a476dda&amp;default=http://www.tecnosapiens.com.br/images/defgravatar.gif' alt='No Gravatar' width=60 height=60/><p>O Lucas achou que fazia bom negócio comprando aquele celular de última geração para Adriana, sua namorada.</p>
<p>— Adorei, Lu. Obrigada. Eu te amo.</p>
<p>Naquele aniversário de Adriana o casal abdicou dos prazeres carnais e demais divertimentos próprios dos relacionamentos amorosos humanos, para, no lugar disso, explorar os incontáveis recursos daquele aparelho que, entre muitas outras coisas, serve como telefone móvel. Antes de Lucas ir embora, Adriana mostrou para ele a música que ela tinha escolhido para servir como campainha quando Lucas telefonasse. A música era Meu bem querer, do Djavan, em versão cálida, muito tranqüila. O Lucas adorou a escolha. Meu bem querer, é segredo, é sagrado, está sacramentado em meu coração, e o que é o sofrer para mim, que estou jurado para morrer de amor. Nada mal, pensou o rapaz.</p>
<p>Tudo parecia ir muito bem. Lucas ligava e Djavan cantava. Só que Lucas, como todo homem pós-revolução sexual, era inseguro e vivia atormentado pelos fantasmas do passado de Adriana. O leitor mais sensível já deve ter percebido o subentendido da frase anterior. Entretanto, aí vai um dado importante para o leitor menos sensível: os supracitados fantasmas são os ex-namorados de Adriana. Dentre eles, o que mais atormentava Lucas era Hélio. Este nunca fora visto por Lucas, mas não havia importância nisso, pois o ciúme não depende da visão. Havia sim o ciúme pelo duradouro relacionamento entre Hélio e Adriana, relacionamento recheado de peripécias registradas em lembranças que a garota insistia em guardar numa bela caixa de papel estampado que Lucas descobriu um dia e ficou furioso. Mesmo assim, Adriana, eloqüente como de costume, argumentou sobre a preservação da individualidade num namoro e conseguiu apaziguar Lucas naquele momento. Mas o rapaz volta e meia se punha a pensar na intimidade que tiveram Adriana e o ex, no modo como Hélio percorreria com os dedos o corpo formoso da garota, no que ele dizia a ela, no como ela reagia a esses estímulos. Sim, Lucas era ciumento.</p>
<p><span id="more-771"></span>Os casamentos de antigamente se davam de maneira autoritária, Lucas sempre pensou indignado. Com dezesseis, quinze, catorze, ou às vezes ainda mais novas, as meninas eram prometidas a maridos que nem sequer conheciam. No entanto, após o fato que será narrado nas próximas linhas deste texto, Lucas desejou ardentemente ter nascido na época de seu avô e ter sido o único homem na vida de sua namorada, crente na afirmação periclitante de que todos os avôs do mundo fossem os únicos homens na vida de suas esposas.</p>
<p>Andando a beira-mar de uma cidade qualquer do litoral de qualquer estado brasileiro que tenha litoral, porque nem todo estado brasileiro tem litoral, andando, como se dizia, Lucas ouve o toque do celular da namorada. Eu quero me esconder debaixo dessa sua saia pra fugir do mundo, pretendo também me embrenhar no emaranhado desses seus cabelos, preciso transfundir teu sangue ao meu coração, que é tão vagabundo, me deixa te trazer um dengo pra num cafuné fazer os meus apelos. Disritmia, do Martinho? Para quem Adriana poderia escolher essa canção como campainha?</p>
<p>— Alô. Hélio! Fala. Tudo bem? O que que houve? Que chato isso, Helinho.</p>
<p>Adriana se entretinha na conversa com o ex e Lucas parecia ter sido atacado por um tsunami ao ouvir a palavra Helinho.</p>
<p>— Me liga na semana que vem pra gente conversar mais sobre isso tudo, tá? Beijo. Eu também te adoro. Tchau. Era o Hélio, Lu.</p>
<p>— Ah, sim. Tudo bem com ele?</p>
<p>— Mais ou menos. Ele anda com uns problemas lá e quer conversar.</p>
<p>Lucas e Adriana resolveram dar um passeio de escuna, um desses barcos para vinte pessoas aproximadamente que vão cem metros mar adentro e depois voltam para a praia. Lucas, todavia, se mostrou entediado com o passeio e quis fazer outra coisa para passar o tempo.</p>
<p>— O celular que eu te dei tem jogo, não tem?</p>
<p>— Tem sim, mas você vai querer jogar agora, no meio dessa paisagem maravilhosa?</p>
<p>— Vou. Não estou curtindo muito esse passeio.</p>
<p>— Você tem cada uma.</p>
<p>Então, Adriana passou seu celular a Lucas e este jogou o aparelho ao mar. Comedida como sempre, a garota apenas perguntou:</p>
<p>— Pra que isso?</p>
<p>— Porque Disritmia é a pior música do Martinho da Vila.</p>
<p><a class="a2a_dd a2a_target addtoany_share_save" href="http://www.addtoany.com/share_save#url=http%3A%2F%2Fwww.tecnosapiens.com.br%2F2008%2F11%2Fcelular-novo%2F&amp;title=Celular%20novo" id="wpa2a_6"><img src="http://www.tecnosapiens.com.br/home/wp-content/plugins/add-to-any/share_save_171_16.png" width="171" height="16" alt="Share"/></a></p>]]></content:encoded>
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